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Eleições e Segurança Pública: Campanha “Não Vote Nesse Rato” denuncia candidatos que cortam orçamentos e vendem discursos violentos

Elaborado pelo Coletivo Sargento Perifa, material informativo denuncia o contrassenso de políticos que usam discursos de violência no período eleitoral, mas votam contra o orçamento e a infraestrutura das periferias no mandato.

Em meio ao debate eleitoral, a pauta da segurança pública volta a ser instrumentalizada por discursos alarmistas e promessas simplistas. Com o objetivo de conscientizar a população e combater a desinformação no processo democrático, a campanha “Não Vote Nesse Rato” lança um alerta sobre o perfil de parlamentares e governantes que vendem o pavor nas urnas, mas atuam contra a proteção real das periferias durante os seus mandatos.

A iniciativa é articulada pelo Coletivo Sargento Perifa, organização de jornalismo independente e educação popular nascida no Córrego do Sargento, na Zona Norte do Recife. Segundo a publicação orientativa da campanha, a segurança pública não se constrói com slogans de confronto ou operações-espetáculo, mas sim por meio de um conjunto integrado de medidas institucionais, inteligência investigativa, rigor no planejamento orçamentário e investimentos em políticas sociais básicas.

O diagnóstico ganha urgência diante do avanço da violência armada e urbana que atinge o cotidiano das comunidades vulneráveis. Dados monitorados pelo Instituto Fogo Cruzado revelam um aumento constante no número de pessoas baleadas dentro de casa e de vítimas por bala perdida na Região Metropolitana do Recife. Censo territorial realizado pelo Sargento Perifa em 2024 apontou que 83% das mulheres e 88,9% das pessoas LGBTI+ da comunidade já sofreram violência de gênero ou orientação sexual, enquanto mais de 32% dos moradores já perderam amigos ou familiares para a violência urbana.

Além da letalidade, a falta de segurança impõe um estado contínuo de hipervigilância, afetando diretamente a saúde mental das moradoras e restringindo seu direito à cidade e à mobilidade urbana. Pesquisas publicadas em 2026 pelo Instituto Fogo Cruzado em parceria com o Instituto Update mostram que o medo limita o acesso das mulheres ao lazer, à ocupação dos espaços públicos e até mesmo a oportunidades de trabalho, em razão dos riscos nos percursos e horários.

O ponto central da denúncia da campanha “Não Vote Nesse Rato” incide sobre o contrassenso legislativo e executivo. No plenário, é frequente que políticos com discursos populistas votem a favor de cortes orçamentários para a perícia técnica, para programas de inteligência e formação policial ou para melhorias de infraestrutura urbana. Quando eleitos, ignoram a urgência de áreas iluminadas, acesso à saúde, educação e lazer, fatores diretamente correlacionados à redução dos índices de criminalidade.

A publicação reforça que o combate efetivo ao crime exige a atuação conjunta e transparente dos Três Poderes: o Legislativo na destinação e fiscalização do orçamento público; o Executivo no comando e valorização das forças de segurança com planejamento e investimento social; e o Judiciário no cumprimento da Constituição e fiscalização da legalidade.

Diante disso, a campanha orienta o eleitorado a identificar e rejeitar “candidatos rato”. A recomendação é priorizar candidaturas que apresentem propostas concretas para o combate à violência contra a mulher, investimentos em infraestrutura urbana, valorização da participação popular e transparência nas decisões orçamentárias que impactam o dia a dia das favelas e periferias.

Acesse aqui a cartilha: NÃO VOTE NESSE RATO – ELEIÇÕES E SEGURANÇA PÚBLICA