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Eleições, trabalho e renda. Acesse agora a cartilha do Sargento Perifa!

Não é por acaso que as pessoas pobres sofrem com a falta de direito e as pessoas ricas têm mais acessos. Tudo faz parte de um projeto de poder de quem é herdeiro.

A desigualdade social no Brasil é parte da história de construção do país e isso faz parecer como se fosse algo muito natural, quando na verdade isso é um projeto de poder. A escravidão da população africana e dos indígenas por aqui se deu através da dominação. Os europeus com suas ferramentas escravizaram as pessoas com base numa superioridade inventada: a de que pessoas negras e indígenas valiam menos, não eram seres humanos e podiam ser tratados como objetos e animais. Mesmo com o fim da escravidão essa ideia se manteve e foi criando estruturas institucionais para que a lógica permanecesse. Hoje em dia, pessoas negras ainda são maioria em cargos de serviços e minoria em cargos de liderança.

O racismo é um dos pilares da desigualdade social e ele está diretamente ligado aos fatos que impediram e ainda hoje impedem que a população negra e indígena tenha acesso à trabalho digno e renda. A desigualdade social também passa pela desigualdade de renda, que também passa pela concentração de poder nas mãos de poucos. Dados da pesquisa Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia, publicada pela OXFAM Brasil em 2026, demonstraram que 1% dos super-ricos do Brasil têm mais de 37% de todo o dinheiro do país. 5% dos mais ricos têm mais de 54%! A grande maioria da população não acessa dinheiro e não tem condições de acumular riqueza.

E é através do acúmulo de riquezas que essas pessoas seguem mantendo estruturas institucionais para manter seus poderes. Seja através do financiamento de campanhas eleitorais, pela articulação para favorecimento político de empresas (lobismo), pelo financiamento de veículos de comunicação ou de outras formas. Não é à toa que as pessoas mais pobres não acreditam nos políticos e também não é coincidência que ainda hoje homens brancos ricos sejam maioria nos cargos políticos, decidindo os rumos do país.

Foi com base nesse incômodo, com parceria da Redes do Beberibe e com apoio da OXFAM Brasil e o Desenrola Não Me Enrola que criamos a cartilha Não Vote Nesse Rato – Eleições, Trabalho e Renda. Acesse a íntegra aqui. 

Esta cartilha foi produzida com o objetivo de trazer mais pessoas da periferia do Recife para essa discussão sobre desigualdade de renda no Brasil a partir da pesquisa citada anteriormente aqui nesta matéria. Em uma tiragem de 300 cópias, a cartilha foi distribuída pelas áreas de atuação dos coletivos envolvidos no projeto.

Escrito por:

Eduarda Nunes Eduarda Nunes

eduardanunes1111@gmail.com