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Sargento Perifa participa da 3ª Conferência de Jornalismo de Favelas e Periferias no Rio de Janeiro

11/nov/2025  |  Gilberto Luiz da Silva

Coletivo apresentou experiência sobre pautas de clima, raça e gênero nos territórios durante evento promovido pelo Fala Roça e pela Agência Mural

 

O Sargento Perifa participou da 3ª Conferência de Jornalismo de Favelas e Periferias, realizada entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro, na Biblioteca Parque da Rocinha, no Rio de Janeiro. O evento, promovido pelo Fala Roça e pela Agência Mural de Jornalismo das Periferias, reuniu comunicadores de todo o Brasil para discutir o papel da comunicação popular na transformação social e ambiental dos territórios.

Com o tema “Justiça climática para as favelas e periferias”, a conferência propôs reflexões sobre como as mudanças do clima, as desigualdades raciais e de gênero afetam diretamente as comunidades — e como o jornalismo local pode fortalecer o debate a partir de dentro.

Durante a programação, o Sargento Perifa participou da mesa “Como pautar clima, raça e gênero nos territórios”, ao lado de Brenda, do Entrebecos (Bahia), e Gabriele, do Desterro (Santa Catarina), com mediação de Tati, do Fala Roça. O espaço foi dedicado à troca de experiências sobre como comunicar temas estruturais a partir da vivência periférica.

Representando o coletivo, Gilberto Luiz falou sobre a atuação do Sargento Perifa, que tem sede no Córrego do Sargento, na Linha do Tiro, Zona Norte do Recife, e sobre os censos comunitários realizados pelo grupo nas comunidades do Córrego do Sargento, Bismarck de Freitas e Rua Frei Jorge. O primeiro censo aconteceu em 2020 e o segundo em 2024, levantando dados sobre moradia, renda, saneamento e condições de vida das famílias locais.

Esses censos foram fundamentais para dialogar com o poder público e cobrar melhorias concretas. Com base nas informações coletadas, o coletivo conseguiu que fossem realizadas obras de contenção de barreiras, após anos de deslizamentos que tiraram vidas na comunidade. Também foram conquistadas novas áreas de lazer, uma praça e creches que hoje beneficiam as famílias da Linha do Tiro.

“Quando a gente produz um censo no nosso território, está dizendo: existimos, temos voz e sabemos das nossas próprias realidades. Essa experiência despertou muito interesse em outros coletivos do país, que querem aprender como fazer o mesmo em suas comunidades”, destacou Gilberto Luiz, durante o debate.

A fala despertou o interesse de comunicadores de diferentes estados, que buscaram conhecer melhor a metodologia usada pelo coletivo. No fim, o encontro foi mais do que uma troca sobre comunicação: foi um reencontro com a força das periferias que se organizam, pesquisam e transformam o próprio território.