Unidas por uma causa em comum, moradoras do Córrego do Sargento deixam as diferenças de lado e conversam sobre racismo e violência de gênero
por Martihene Oliveira

Foto: Nanda Sarará/ Sargento Perifa
“Maternidade e solidão, mulheres nas trincheiras da comunidade” foi o tema do primeiro encontro da Rede das Mulheres e Meninas do Perifa do ano. O evento aconteceu na última segunda-feira, 27, e contou com mais de 40 mulheres reunidas na sede do Coletivo de Mídia Independente e Popular Sargento Perifa.
As moradoras do Córrego do Sargento, em Linha do Tiro, no Recife, mulheres negras, das mais variadas faixas etárias, evangélicas, católicas, espíritas, candomblecistas, cis e trans, progressistas e conservadoras, ativistas ou não, e das mais variadas profissões e pensamentos possuem, para além da cor e espaço onde vivem, um pensamento em comum: nós, mulheres faveladas, estamos nas trincheiras da comunidade.

Foto: Nanda Sarará/ Sargento Perifa
Foi essa a fala que abriu o debate do mês, com Dona Ana, 71, mulher negra e crente, afirmando a decisão de sair de um relacionamento abusivo agora, depois de mais de 30 anos de casada, avó e mãe de três filhos. “Eu decidi que não quero mais isso pra mim, tomei a decisão de dar um basta porque sou muito violentada com palavras”, disse ela balançando o molho de chaves que passava pelas mãos de todas representando o sino do “basta”.

Fotos: Nanda Sarará/ Sargento Perifa
Quem também esteve presente na rede, como convidada externa para abrilhantar a conversa foi a poeta e MC Adelaide, moradora do Vasco da Gama, bairro vizinho à Linha do Tiro, onde está localizado o coletivo. Adelaide, que milita no coletivo Boca de Trombone há 10 anos, falou sobre os desafios de ser uma mulher negra, mãe solo e periférica. “Não é nada fácil não ter rede de apoio”, disse ela ao falar de suas vivências enquanto amamentava Luara, 3, em seu colo. A MC recitou uma de suas poesias mais conhecidas, “O fardo de uma preta” e foi ovacionada pelas mulheres cheia de brilho nos olhos.
O encontro foi encerrado com música, choros e abraços, além de sorteios e brindes para as mulheres.
A Rede das Mulheres e Meninas do Perifa acontece toda última segunda-feira de cada mês, às 19h, na sede do Sargento Perifa.