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Jovens Defensores Populares formou 25 Defensores de Direitos Humanos em Linha do Tiro, no Recife

O evento ocorreu no auditório do IFPE e formou 180 jovens das periferias de Recife e Olinda

No último domingo (22), aconteceu a formatura dos Jovens Defensores Populares de Pernambuco e o Coletivo Sargento Perifa foi uma das seis organizações que receberam o projeto da Fiocruz junto com o Ministério da Justiça e o Instituto de Referência Negra Peregum. 

O evento iniciou-se pela manhã e contou com mais de 200 pessoas ocupando o auditório do Instituto Federal de Pernambuco, com parlamentares e representantes do governo federal e da luta pelos Direitos Humanos. 

Mais de 200 pessoas reunidas no auditório do IFPE (créditos: Arquivo JDP Nacional)

O coordenador de esportes do Sargento Perifa, Luan Amorim, que também é monitor da turma de Linha do Tiro, abriu o evento de uma forma descontraída junto com a monitora da turma de Peixinhos, Keila Marques, culminando em uma plateia pra lá de animada que bailou ao som do Passinho do Jamal.

Na composição da mesa de abertura, a Secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, discursou sobre a importância do projeto dentro das periferias brasileiras e sobre como, sendo ela uma mulher negra, se sentia realizada em fazer parte de tudo isso. Para Senhorinha Joana, coordenadora estadual, construir um projeto como os Jovens Defensores é a síntese de todo o investimento feito nela ainda enquanto criança e a possibilidade de levar a transformação para o seu território, fortalecendo jovens negligenciados pelo racismo. 

Turma de Linha do Tiro e Martihene Oliveira – idealizadora do Sargento Perifa e coordenadora pedagógica do JDPPE  junto com Seimour Souza – vice-coordenador nacional do projeto (créditos: arquivo JDP Nacional)

A plataforma Mapa dos Jovens Defensores Populares de PE está em fase de criação e promete ser um portal de fortalecimento para jovens e educadores do projeto, tem como referência o Mapa da Mídia Independente e Popular de Pernambuco, que georreferencia mais de 80 iniciativas do estado, sendo elas quilombolas, periféricas, ribeirinhas e indígenas. 

Além de Pernambuco, os Jovens Defensores Populares estão em mais 5 estados, são eles: Bahia, Distrito Federal, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo. No território pernambucano, o projeto formou 180 jovens espalhados em turmas de 30 alunos em seis bairros entre Recife e Olinda: Chão de Estrelas, Linha do Tiro, Peixinhos, Santo Amaro, Várzea e Xambá. Os jovens possuem idades entre 16 e 29 anos e ganharam uma bolsa mensal no valor de R$500 reais, por um período de 10 meses, tempo em que durou o percurso formativo, para assistirem aulas online e presenciais, sobre direitos, artivismo, comunicação comunitária, educação popular, incidência política e pesquisa de campo.

Mais de 60 educadores foram acionados, sendo os mesmos militantes pelos Direitos Humanos, inseridos nas instituições que serviram de sede para as formações nos territórios. São elas: Sargento Perifa, em Linha do Tiro; Grupo Comunidade Assumindo suas Crianças (GCASC) e a Cozinha Solidária Afetivas, em Peixinhos; Galpão de Meninas e Meninos e o Instituto Tacaruna Social, em Santo Amaro; Quilombo 7 Mocambos, na Várzea; Instituto Tia Luiza, no Xambá e o Centro Cultural Nação Cambinda Estrela, em Chão de Estrelas.

Turma de educadores JDPPE e equipes da coordenação nacional e estadual (créditos: JDP Nacional)

Seis mapas foram criados pelos jovens para ilustrarem seus territórios, os mesmos mapas, com o apoio do My Maps, ferramenta do Google, tornaram-se digitais e carregaram vídeos produzidos pelos formandos contando as histórias e particularidades de cada bairro. No dia da formatura, cada turma apresentou seu mapa de forma artística que foi desde apresentações  teatrais, coreografias com direito à Drag queens, a homenagens religiosas como a que a turma de Xambá realizou para Guitinho (in memorian), integrante do Grupo Musical Bongar.

Linha do Tiro, fez uma apresentação musical com a mixagem de várias músicas e uma performance que envolvia côco, hip hop, embolada, samba, entre outros, falando do abandono do Rio Morno, violência contra a mulher, transfobia e preconceito contra a favela. Uma apresentação envolvente que fez a plateia se emocionar e aplaudir os jovens de pé.

Fim de festa e as jovens Nycolly Fontinelly e Rhaiane Fragoso entregando carisma no show de Troinha (créditos: JDP Nacional)

No final, houve a entrega dos certificados e um show que não deixou ninguém parado com Troinha, Kananda PX, Dj Boneca, Helena Cristina e Bongar.