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Projeto inscreve 14 crianças em torneio pernambucano de jiu-jitsu e volta com 13 medalhas para o Córrego do Sargento

12/dez/2023  |  Sargento Perifa

No domingo, 15 de outubro, o Projeto Social Riselda Amorim levou 14 crianças ‘jiu jiteiras’ do Córrego do Sargento e destas, 13 conquistaram pódio no campeonato Pernambucano Bad Boy BJJ Classic Outubro, que aconteceu no estádio do Geraldão, para crianças entre 4 e 13 anos.

As crianças do Sargento Perifa puderam participar do torneio a partir de uma mobilização realizada por pais e professores para que as inscrições fossem efetuadas. Como resultado, levaram para o território 4 medalhas de ouro, 7 de prata e 2 de bronze. O projeto Riselda Amorim é composto por dois professores de Jiu-jitsu e atende mais de 70 alunos e alunas, entre eles, crianças, adolescentes, mães e pais.

Para o professor Luan Amorim, coordenador do projeto, “o que a gente pode tirar desse dia é que nossas crianças tiveram uma maturidade muito grande de chegar no campeonato e desempenhar bem. É um desafio muito grande na comunidade porque a gente não tem uma estrutura perfeita. A gente não tem alimentação perfeita de atleta, não tem preparador físico, nem investimento em acompanhamento nutricional, psicológico, mas tem muito coração e muita vontade. São esses aspectos que ajudam as crianças a melhorar o desempenho e ganharem o campeonato”, afirmou.

Que o esporte é uma importante ferramenta de transformação social na favela, isso todo mundo já sabe. Através dele há aumento de autoestima, sensação de felicidade, queda de ansiedade e depressão, que embora se fale pouco sobre isso, é um problema latente em comunidades periféricas. Um fator importantíssimo para a sociedade é que o esporte interfere na qualidade de vida das pessoas e custeia grandes talentos da periferia, mas nem sempre, esse financiamento é aplicado para além do futebol. Um outro fator é que mulheres e meninas atletas ainda continuam sendo menos valorizadas nesse cenário, grandes investimentos e patrocínios, na maioria das vezes, não se aplicam ao público feminino.

Das 13 medalhas conquistadas no torneio, nove foram levadas pelas meninas do projeto. “ A frase que define é orgulho grande dessas crianças, maior parte meninas, dando visibilidade a suas lutas no esporte. Foi uma experiência massa. Vitorinha, com 4 anos, dentro do Geraldão, ganhando ouro e tendo a mãe dela assistindo. Voltar com tantas medalhas pra casa paga todo nosso esforço do dia a dia”, complementou Luan.

O professor Mateus Santos, que como aluno de Luan auxilia no treino com as crianças, incentivou a irmã Sabrina Santos, 13 anos, para o esporte também. Ao ver Sabrina conquistar o ouro, o irmão mais velho foi às lágrimas: “eu vibrei muito com cada conquista dos alunos, tenho um carinho muito especial por todos. A gente luta muito para ver resultados como estes. Quando minha irmã venceu o torneio, eu não consegui deixar de me emocionar”, disse.

Escrito por:

Sargento Perifa

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Os sargentinos, como gostam de ser chamados, são pessoas que possuem laços fortes de identidade entre si. Orgulhosos do lugar onde moram, sempre estão criando iniciativas para a melhoria de todos.