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Nasce a Rede de Mulheres do Perifa

12/dez/2023  |  Sargento Perifa

Na última quarta-feira (29), foi inaugurada a Rede de Mulheres do Perifa, um projeto idealizado pelo nosso coletivo que, desde a sua fundação, sonhava com um ponto de acolhimento para as mulheres do território.

Com o tema “Preta, o que te movimenta?” uma roda de conversa foi aberta, mediada por Martihene Oliveira, jornalista e coordenadora do coletivo, que conversou com mulheres líderes dos projetos do Sargento Perifa e também contou com a participação da presidente do Movimento Negro Unificado de Pernambuco (MNUPE), Marta Almeida.

Na mesa, estiveram presentes, Elis Regina, enfermeira do Sargento Saúde, Marianne Serafim, trancista e filósofa, idealizadora da Vênus Periférica, Pánmela Patricia, nutricionista e idealizadora do projeto Nutris do Perifa, e Wilma Santos, estudante de jornalismo, que são negras e moradoras de periferia, puderam conversar com as demais sobre suas lutas e desafios encontrados para conseguirem suas conquistas. 

Para Marta Almeida, estar na sede do Sargento Perifa, foi como ir até a Àfrica do Recife, “local majoritariamente preto onde posso fazer trocas com mulheres mais novas e de mais idade que a minha, um verdadeiro presente”, afirmou.

Elis Regina disse que o Perifa lhe fez enxergar sua cor, foi através do coletivo que ela se encontrou uma mulher negra, líder e que tem se empoderado a cada dia. “O prazer de atuar aqui é tão grande que tenho me dedicado a estudar mais para compartilhar com vocês. Acabei de me formar mas já estou me especializando em saúde da população negra, tudo isso por causa do Perifa”, disse ela.

Pánmela é uma nutricionista que tem vencido muitos desafios impostos pela sociedade, ela que também é técnica de enfermagem, quando decidiu ser nutricionista, sofreu preconceito e discriminação por causa do excesso de peso. Um outro problema encontrado foi a sua cor, apesar disso, Pánmela afirma que só se enxergou negra, depois de inserida no coletivo. 

Já para Marianne Serafim, trancista e estudante de filosofia africana, falar e  ensinar para as mulheres a força da ancestralidade e potência de uma trança na cabeça, é algo que não tem preço. Ela também destacou a importância das cotas raciais, “eu que sou moradora do bairro de Água Fria, sei o quanto as cotas são importantes, foi por elas que ingressei na universidade”. 

Wilma Santos é uma mulher negra, estudante de jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) de 45 anos, ela chegou ao Perifa para fazer uma pesquisa acadêmica. Moradora do bairro da Mustardinha, encontrou no Córrego do Sargento o seu espelho. “Meu maior desafio é ser uma mulher negra, em uma faculdade de classe média alta, sendo mãe e avó, sendo a mais velha da classe. No Perifa eu acabei me encontrando e trago a mensagem de que se eu posso, vocês também podem também”, disse ela.

Ao final do evento, todas as mulheres presentes se auto elogiaram e disseram pelo que elas lutam em um cenário de muito choro e sororidade. Logo após, um coffee break foi servido.

Para a inauguração da rede de mulheres do Perifa, o coletivo contou com o apoio da plataforma de disputa narrativa sobre as cinco regiões do Brasil, Perifa Connection. Os encontros da rede vão acontecer mensalmente, na última segunda-feira de cada mês, às 19h, na sede do coletivo.

Escrito por:

Sargento Perifa

sargento.perifa@gmail.com

Os sargentinos, como gostam de ser chamados, são pessoas que possuem laços fortes de identidade entre si. Orgulhosos do lugar onde moram, sempre estão criando iniciativas para a melhoria de todos.