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Livro-reportagem Urubu Marrom – Relatos de uma jornalista de favela

por Martihene Oliveira

 

Eu acho que essa inclusão de gente preta nos jornais, de gente que vive na base da pirâmide econômica brasileira tendo oportunidades para escrever para pretos e brancos, ricos e favelados, acontecendo, as histórias podem mudar. Não vai ser a mesma coisa que a favela assiste direto: gente morrendo adoidado, na maioria negros, e que a mídia faz questão de dizer que eram usuários de drogas e ponto. Faltam coisas positivas sendo mostradas e, mesmo que aconteçam poucas, o que não é o caso, vale um negócio mais aprofundado. Afinal, quem morreu tinha nome, pode ter sido vítima de alguns tiros, pode até ter se envolvido em algum crime, mas com certeza tinha uma história. E eu não tô querendo passar pano para história de bandidos. Os “bandidos” que morrem nem sabem do que foi noticiado sobre eles, mas a mãe, os irmãos, os primos, os vizinhos, sempre ficam com vergonha da notícia e uma notícia transforma.

Por outro lado, eu entendo o trabalho do jornalista de hoje. Não dá tempo de contar com detalhes sobre a vida das pessoas. Os jornais de hoje têm pressa. E, quando se trata da televisão, a pressa dos jornais aparece nos segundos. E, eu sei, a quantidade de matérias diárias, a quantidade de fontes para cada uma dessas matérias, a quantidade de visitas em lugares diferentes, de ligações que a equipe precisa fazer, de textos que precisam ser produzidos, de apuração, de jogo de cintura, tudo isso numa disputa entre um veículo e outro, faz com que não haja espaço para detalhes. Daí o jornalista chega, conversa com a fonte, vai embora e talvez nunca mais seus caminhos se cruzem.

 

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