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Coletivo Sargento Perifa participa de 1ª Conferência de Jornalismos Plurais

12/dez/2023  |  Sargento Perifa

Martihene Oliveira falou sobre os desafios em seu território e as estratégias utilizadas para falar com os moradores em relação à política partidária nas eleições.

Por Martihene Oliveira

O evento aconteceu no Centro de Cultura Luiz Freire, em Olinda, nos dias 25 e 26 de novembro, e reuniu dezenas de comunicadores da mídia independente e popular de Pernambuco e outros estados do país, como Amazônia, Rio de Janeiro e São Paulo.

A realização foi fruto da parceria da ONG Repórteres Sem Fronteiras com os coletivos pernambucanos Caranguejo Uçá e Marco Zero Conteúdo, amparados pelo Programa de Apoio ao Jornalismo – RSF (Pajor), que também atende iniciativas como Amazônia Real, Alma Preta, Nós, Mulheres da Periferia, Fala Roça, Data Labe e Rede Wayuri.

O Sargento Perifa participou da mesa de abertura do evento, que aconteceu na manhã do dia 25, composta por Artur Romeu (RSF), Fabiana Moraes (UFPE), Martihene Oliveira (Sargento Perifa) e mediada por Laércio Portela (Marco Zero), que discutiram o tema “Jornalismo no plural e o direito à comunicação no Brasil”. Os participantes conversaram sobre o cenário para a comunicação pós eleições de conjuntura nacional e falaram sobre a luta pelo direito à comunicação mobilizada por iniciativas locais de jornalismo. Dentro desse tema, a pergunta questionadora: “Quais são e como atuar estrategicamente nos novos fronts da luta em defesa do direito à comunicação no Brasil?”, Martihene Oliveira falou sobre os desafios em seu território e as estratégias utilizadas para falar com os moradores em relação à política partidária nas eleições.

Temas sobre Jornalismo e os Povos Indígenas, Convergência de mídia na comunicação da quebrada, Jornalismo na era digital, dentre outros, também foram pautados nas mesas. Comunicadores e comunicadoras como André Fidelis (Força Tururu), Cleiton Bastos (Coque (R) existe), Edson Fly (Caranguejo Uçá), Yaani Inay (Cabras), Yanne Mendes (Rede Tumulto), Lenne Ferreira (Afoitas) e Lídia Lins (Ibura Mais Cultura) representaram bem as iniciativas locais. Para Puré Juma (Amazônia Real), seu trabalho se faz também na preservação da memória dos ancestrais: “nós, como Povos indígenas, temos que guardar de lembrança os anciãos indígenas. Dessa forma mostramos aos nossos filhos e netos onde está a nossa raiz. Busco fazer registros de cada momento da comunidade porque tudo isso é usado para arquivo”, afirmou.

Além das mesas, a conferência contou com oficinas diversas sobre produção de dados, mapeamento de territórios, mecanismos de proteção para jornalistas e comunicadores, dentre outras.

O final foi regado a muita emoção com depoimentos do público e palestrantes, provocados por Daiene Mendes (RSF). Laércio Portela refletiu sobre sua experiência na profissão e pontuou afirmando que tem certeza que fez a escolha certa quando deixou para trás o jornalismo tradicional e resolveu ingressar no jornalismo independente, “apesar dos imensos desafios, ele me permite trabalhar sem amarras”.

MAPA DA MÍDIA INDEPENDENTE E POPULAR DE PERNAMBUCO

Imagem: Reprodução da internet

O Mapa da Mídia Independente e Popular de Pernambuco foi lançado em abril de 2022 pela Marco Zero Conteúdo em parceria com o Sargento Perifa, com financiamento da Repórteres sem Fronteiras. Ele reúne mais de 50 coletivos de comunicação independente espalhados por todo o estado e com identidades diversas, com trabalhos que variam desde protestos por questões que se configuram nos direitos humanos a temáticas de cultura popular, literatura, cidadania, dentre outros, que se utilizam da comunicação como ferramenta de transformação e resistência. São coletivos formados por jornalistas, mas também por enfermeiros, pedreiros, professores, advogados, psicólogos, e outras profissões de territórios periféricos, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, etc, em espaços físicos ou virtuais.

Escrito por:

Sargento Perifa

sargento.perifa@gmail.com

Os sargentinos, como gostam de ser chamados, são pessoas que possuem laços fortes de identidade entre si. Orgulhosos do lugar onde moram, sempre estão criando iniciativas para a melhoria de todos.